sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Saindo da rotina em Innsbruck na Austria

A pessoa que eu fui em Innsbruck definitivamente não sou eu.

Pra introduzir, Innsbruck é uma cidade do Tirol mais ou menos no centro-oeste da Austria e é cercada por várias montanhas, logo ali no comecinho dos Alpes. Não tinha expectativas sobre o que encontrar lá, dei uma pesquisada na Internet e coisas como um castelo e o museu da Swarovski. Mas a verdade é que não fiz nada do que pesquisei e tenho certeza que foi muito mais divertido assim. A cidade tem vistas lindas das montanhas e tem uma característica interessante: as pessoas são super esportistas, todo lugar que se olha, alguém está praticando um esporte, inclusive muitas crianças. 

Logo, o motivo de ter sido uma experiência tão diferente pra mim é simples: eu - uma pessoa definitivamente pouco esportista - fiz mais de exercícios em dois dias que na vida inteira!

Aqui foi onde eu fiz meu primeiro Couchsurf ("surfe de sofá" ou algo parecido), que pra quem não conhece, é uma rede social de pessoas que emprestam seus "sofás" pra viajantes na ideia de criar uma troca de experiências sobre o lugar, assim é possível gastar pouco e ter um morador local pra dizer o que é bacana fazer. Desse jeito dá pra fugir dos típicos lugares turísticos um pouco e conhecer mais a fundo a cidade. Nesse esquema eu já ofereci meu sofá pra pessoas na minha casa, especialmente durante a copa do mundo, mas essa foi a primeira vez que eu fiquei no sofá de alguém. E foi ótimo!

Pra resumir um pouco do que eu fiz, eu basicamente andei muito subindo nas montanhas e fiz escalada e rapel, tudo isso em um outono que nunca imaginei que seria tão lindo.

Aqui é a primeira vista da cidade. Basicamente de qualquer lugar, dá pra ver muitas montanhas.


Uma curiosidade: Inn é o nome do rio principal no vale da cidade e bruck significa ponte, logo o nome da cidade é Ponte Inn!


Essa sacadinha é um lugar famoso da cidade, sinceramente não sei porque (talvez por conta dos metais preciosos na construção dela). Na dúvida, tirei uma foto. O resto basicamente são as ruazinhas gracinhas daqui com um fundo de montanhas.




Essa é a parte da aventura! Depois de uma caminhada bastante íngreme numa trilha, chegamos nesse paredão de pedra, onde, se olhar bem, tem uma criança de não mais que cinco anos escalando. Eu morrendo de medo, a criança subindo e descendo na maior moral, fiquei até meio deprimida com o meu sedentarismo. Não tem fotos de mim escalando pra comprovar mas eu juro que tentei, e não passei de uns sete metros! 

Nessa foto lá em cima é o Richard, meu couch, subindo sem cordas (afinal alguém tem que subir pra amarrar a corda lá em cima!!)

Aqui é ele comigo enquanto descemos de rapel!

Essa sou eu, horrível mesmo, no meio do caminho do rapel, só pra mostrar toda a minha coragem e determinação! (só que não né, quase não desço) 


Essa é a Kimba, minha couch também, que é super educada e treinada apesar de ser um bebê de 6 meses, e que acompanha fielmente o Richard em todas as aventuras e me divertiu muito!


Essa é uma comida típica, que eu não consigo nem pronunciar o nome, feita de pão, ovos e cebola, muito boa e acompanhada de molho de cogumelos. Apesar disso, essa bolota foi demais pra mim e não consegui nem comer tudo.


Cerveja barata, iei! 3 euros, muita alegria!


No ultimo dia antes de ir embora, mais uma longa caminhada montanhas acima. Cansei como nunca, mas pelas  dá pra ter um pouco de noção de como valeu a pena.



Em certa altura da montanha, tem um restaurante, onde fizemos uma pausa...


 ... pra comer Apfelstrudel, essa sobremesa maravilhosa de massa folhada, queijo e maçã, com creme e açúcar pra acompanhar! Diferente do que parece, não é uma sobremesa muito doce, assim como a maioria das coisas por aqui.


Andando mais um pouco, dá pra ter noção da altura da floresta. Por pouco não pego tudo coberto de neve, esse lugar tem um teleférico e vira pista de esqui no inverno.


E as vistas são de outro mundo!


Fui pra Munique só o pó, mas não poderia ter sido melhor. Já estou pensando em quando voltar pra esquiar dessa vez!

Andando até não aguentar mais em Veneza



Depois de uns dias na Itália, fui também a Veneza, cidade famosa por ser composta de ilhas cheias de canais. Fiquei meio confusa a princípio com uma cidade sem carros, meio labiríntica e misteriosa, mas a cada esquina que se cruza, uma nova paisagem se cria na sua frente (ou um beco sem saída!). Além disso, ela é maior do que parece e, apesar de ser bem conservada com toda sua história, tem muitas lojas modernas e afins, que me permitiram até fazer umas comprinhas! 
Tive sorte de estar lá em um dia muito bonito, mesmo que um pouco frio, e o cheiro, que ouvi dizer que é ruim, estava bem aceitável, assim como os canais que estavam com a água azul. Outras duas coisas que posso dizer de Veneza são a tradição das máscaras do carnaval veneziano, que estão em todos os lugares desde camelôs até lojas finas e decorações, e as pedras de Murano, um tipo de pedra semipreciosa presente em todo tipo de arte. Passei o dia e andei horrores até não aguentar mais e não conheci tudo que gostaria, mas fui embora feliz com as expectativas realizadas!

Como disse, as máscaras estão em toda parte e são lindas (e caras)!



A cidade são basicamente becos e canais, tudo muito charmoso, com barcos e gôndolas em todo lugar, tirei foto de cada parede e agora algumas não fazem sentido, mas juro que no momento eram paisagens!




 Outra coisa bastante popular em Veneza são os papéis de carta artesanais, assim como penas e tintas e pigmentos. Fiquei louca pra comprar, mas além de ser tralha ruim pra viajar, é tudo bem caro também.

Essa é a vista da Ponte do Rialto, uma das mais famosas e belas, e em seguida é a própria ponte vista das margens do rio.


Essas são algumas das artes feitas de murano. Vale mencionar que existem também muitas galerias de arte por lá.

Parece tudo muito tranquilo na praça San Marco, que é a mais famosa de Veneza, mas a verdade é que é muito lotada, já que tem vários dos pontos turísticos mais importantes!

Essa é uma torre na praça San Marco, que não sei o nome. Dá pra subir nela, mas tinha uma fila gigante, então não subi.

Essa é a Basílica de San Marco, lindíssima e muito muito grande. Apesar de ter fila, essa eu entrei e é maravilhoso, valeu a espera.


Logo do lado tem o palácio Ducale, enorme, mas nada especial. Em volta da praça tem também vários outros museus e lugares famosos, mas eu não tinha tempo e não entrei em mais nenhum. Exceto a Igreja, todos os lugares são pagos e lotados, eu preferi ficar na dúvida de descobrir se perdi algo.


Uma vista da (enorme) praça.

Mais gôndolas. "E você não andou de gôndola?" Não! achei bem brega na verdade ver as pessoas nas gôndolas andando devagar ou paradas (lá também tem trânsito - de barcos) com o gondoleiro cantando. Mas pode ser um pouco de recalque de eu não ter ido, já que custa 80 euros uma voltinha de uma hora em média.


 Essa é a Ponte dos Suspiros, uma ponte fechada da igreja para a prisão, que leva esse nome porque era onde os prisioneiros costumavam ver a cidade pela última vez.

Mais canais, pontes e ruelas...





E por último (já estava morrendo de cansaço no fim do dia) a Basílica de Santa Maria della Salute.



No fim do dia quase perdi o trem pra ir pra casa e tirei um belo cochilo no caminho, mas foi ótimo no geral, pretendo voltar um dia pra conhecer a noite veneziana, que dizem ser maravilhosa!

Primeira parada - Verona e Sovizzo


Tenho viajado há um mês e não escrevi uma postagem e não tenho desculpas. Na verdade eu nem tenho feito tanta coisa assim pra estar ocupada, mas tenho muitas coisas acontecendo pra contar. Desde que cheguei na Itália me hospedei em um pequeno apartamento alugado que por alguns dias acabei dividindo com outras duas pessoas, o que foi bom, já que Sovizzo é uma cidade muito pequena em que quase ninguém fala inglês, então foi bom ter com quem conversar no dia dia.
De onde estou, tenho acesso fácil de trem para alguns lugares muito bacanas, que foram basicamente os lugares que conheci nesse um mês. No meio tempo fiquei em casa mesmo, esperando que os documentos da cidadania se encaminhassem e indo ali e aqui pra passar o tempo. Devo admitir que foi um bom tempo pra descansar no intervalo entre planejar viagem, deixar emprego e apartamento e começar a viajar de verdade. 
Agora considero que a viagem realmente começa! Estou em Brennero, entre nada e lugar nenhum na divisa entre Austria e Italia, esperando minha carona pra próxima cidade. Num café barato escrevo, que por acaso é onde estou almoçando às 16h, recém chegada de Verona, com uma paisagem de tirar o fôlego no meio de montanhas com pinheiros queimados do frio e um pouco de neve nos picos. Apesar de estar frio, não é incômodo, exceto pelo fato de eu não ter luvas e estar com as mãos congelando.
"Mas, o que você fez até agora? Não é possível que não fez nada!” Aqui preciso voltar um pouco no tempo pra contar o que eu fiz além de assistir Netflix.

Chegando em Sovizzo, já me deparei com, claro, pizza!

Teve também sorvete, vinho, crepe, café, massa, queijo... posso dizer que comi muito bem!





A primeira cidade que conheci depois de Sovizzo, que é um ovo, foi Verona. Não esperava nada, mas me surpreendi muito pela riqueza de história da cidade inspiração de Shakespeare. Com um canal que corta a cidade em meia lua, cada ponte e cada construção é um deslumbre, tudo antigo e com muitas referências cristãs, sem falar em todas as referências a Romeo e Giulietta, que ainda não entendi perfeitamente até que ponto é verdade ou literatura. Minha passagem por aqui foi rápida, só algumas horas, então não consegui me ater muito aos detalhes, mas deu pra deixar vontade de voltar. 

Essa é a Arena de Verona, geralmente usada pra shows. Não entrei porque não tinha muito tempo e praticamente tudo lá tem que pagar pra entrar. E bem atrás de mim é um monumento chamado For You.


Fotos randômicas da cidade de lugares bonitos que não sei o nome...




 Uma atenção especial para o castelo da foto que não achei o nome, mas que é mágico!


O rio que corta Verona e suas pontes são onde tem as paisagens mais bonitas, vale fazer um roteiro só pra seguir ele.


 E aqui é a casa de Giulietta.


Depois de uns dias fui também a Veneza, Vicenza e Padova, que devo falar em uma postagem exclusiva, já que tem bastante coisa legal lá!

Além de tudo isso, fiz muitos planos e organizei as minhas viagens de agora em diante. Foram poucos os lugares, mas isso porque o descanso foi sagrado e o planejamento tomou um tempo absurdo, uma boa constatação de que viajar barato tem seu preço. E por falar em preço, deixa eu ir que minha carona está me esperando!


Obs. Como estava sem internet na data do texto, vai agora a postagem com (bastante) atraso. Para constar, já estou em Munique há 3 dias e hoje fui ao Campo de Concentração de Dachau, que devo escrever a respeito em breve!